5º GP GOIÁS DE MTB - Pirenópolis 01nov09
O certo é que estaremos na próxima, porque o festivo encontro com os amigos em Pirenópolis é imperdível!
Parabéns aos organizadores!
Parabéns a todos os participantes!







Pulou-se uma cerca para a entrada do paraíso perdido de Ronan e o cascalhão cantou suado debaixo dos cravos dos pneus e gemeu rasgado durante as curvas e rampas.
O mato do cerrado formava uma alameda que quase encobria a trilha, e o pelotão seguia compacto voando baixo por entre espinheiras, cobras e taturanas.
Pra apimentar a tragédia, um longo galho com casa de marimbondo estacionou bem no meio do single, fazendo um balanço de vai e vem a cada passada de um pedalante.
Nas baixadas, escadarias de pedras exigiam cuidado redobrado dos pilotos estrambelhados, porque bastava um só descuido para cair em valas com boca de monstros e ser tragado para as profundezas do oco da terra, mas mesmo assim DesceTudo soltava o freio e fazia das suas estripulias voativas em meio àquela periculosidade.
Passamos mais uma cerca misteriosa e aí encontramos a aranha cabeluda do casco de espinho venenoso, criatura mortal e extremamente virulenta que habita aquela distante região.
Martinha, Ane e AlineUhuu eram as únicas gatas que a todo instante colavam no pelote ensandecido, e bastava uma piscada para as minas encostarem com cara de quem nem estava fazendo força.
Garotas supimpas!
Mais a frente, uma nova descida anunciava uma mata que previa ribeirão. A galera empelotou na porta, mas logo percebemos que foi por causa de uma antiga ponte que caiu.
Fazer o que?!
Colocamos as magrelas no costado e partimos pra travessia esburacada. Derrapadas e escorregões foram comuns naqueles pisos lodosos e com falta de pegamento.
Alguns escolheram escalar o madeiramento apodrecido e com frágil equilibramento, e outros tocaram os pés na água e subiram pelo barranco.
Uma corrente se formou para ajudar passar as bicicletas e o povo foi vazando à medida que chegava do outro lado.
Morrinho pequeno adiante, mas nada incomodativo. Depois, ao longe já se enxergava o paredão da desesperança radioativa.
Vários bicicloloucos já estavam por ali engarranchados, derrapando e tentando se equilibrar a qualquer custo que custasse.
Encaramos a pirambeira e botamos ar nos foles pra fora tentando vencer a escalação.
À esquerda, um vale cinematográfico esparramava sua verdolência por uma paisagem sem fim, perdendo-se das vistas lá nas bandas de depois da curva.
Nesse ínterim, os corações batiam bielas e as ventas chamuscavam chamas e fumaça que se esparramava pelos olhos e ouvidos. As pernas quase pediam arrego e o equilíbrio quase desequilibrativo cansava o prumo das costelas.
Lá do alto, ainda com a ofegação totalmente traumatizada, tentamos focar os olhos pra apreciar tanta buniteza que se derramava morro abaixo.
Seguimos, agora por estradão de terra, e aí a velocidade verteu forçativa, mas, como não sabíamos do caminho, paramos em toda bifurcação esperando quem tinha conhecimento daquelas estradas perdidas de Ronan.
Chegamos numa casinha escondida na baixada e por lá tinha água gelada, laranja, cana e sombra bem friazinha.
Quando chegamos, desmuntamos e o André sacou de sua matula preciosa onde existiam vários aparatos nutricionais com os quais nos brindou. O amigo do Júnior repartiu o restante das bolachas e forramos a pança com um banquete bem vindo.
Depois de tirarmos umas chapas, abastecermos os pandus e as caraminholas, aprontamos partida.
Travessia de uma entradinha disfarçada e mais uma perdida, aguardando ainda outros mais perdidos pra tentar achar a saída.
Batemos mato no peito e atravessamos pro outro lado, e foi aí que encontramos o cumpadi Chico nos aguardando do outro lado em seu carro de apoio, pois o cabra tá com a mão imobilizada por conta de um tombo em outros trilhamentos.
Depois disso tudo, foi pegar só estradão e mais paradas pra aguardar quem sabia do caminho. Pegamos mais um subidão e depois foi só arrochar lenha na caldeira até chegar nos finalmente.
Foi beleza mais que pura, e certamente que faremos esse percurso do Ronan mais uma pá de vezes.
Inté!
PikíDaTrilha MuntaBiki Offi Roiadi
