03/11/2009

5º GP GOIÁS DE MTB - Pirenópolis 01nov09

O 5º GP GOIÁS DE MTB ofereceu, sem dúvida alguma, o mais completo roteiro entre todas as provas realizadas no Centro Oeste. SHOW!

Pra quem colocar à prova a capacidade aeróbica, força, técnica, velocidade e outras adjacências, foi um verdadeiro teste. Quem não tinha lá muita técnica e tava na fase de botar os bofes pra fora, experimentou o ferro quente da tortura no lombo com curativo de sal e pimenta. Lasqueira da boa!






O dia começou cedinho pros que se aprumaram na hora certa. Café da manhã reforçado e tocar o bonde pro Pousada dos Pirineus.
Temperatura boa que dava gosto, mas que já anunciava quentura esturricada fazedeira de pururuca nos couros mais esbranquiçados.
Lambreca a cara e o que mais der com muitas toneladas de bloqueador pra não fazer dodói na epiderme.
As gatas, sempre mais cuidadosas, exibiam seus cabelos lindamente aprumados e incrivelmente cheirosos. Roupa impecável, luvas desinfectadas, capacetes no cheirinho e até lápis nos olhos teve mina que passou. Um luxo só...
Contraste estabacado com os cuecas fubentas, que vão pras provas com os capacetes quase podres, luvas fedendo a leite azedo e outros detalhes que de tão fedorentos não dá nem pra citar... Ô povo fididu! kkkkkkkkkkkkk

Bão, a festança tava era boa, e o DJ tacou um som porreta nas caixas logo cedinho pra deixar os hóspedes do hotel em ponto de bala pro desjejum matinal.

O povo foi ajuntando e lotando a área belamente arrumada pra receber os atletas, apoios, agregados e familiares.

A galera tava inflamada que dava gosto. Os biciclodoidos desceram porrete pra cima das magrelas e só se viu fumegação azucrinada atravessando as pirambas pirinopolitanas.

Festa confraternizativa que a cada ano bate novos recordes de público e elogiamentos.
A cidade tava lotada que dava gosto, com gente vindo de todo lado pra curtir variadas estripulias na meca centroestina dos esportes de aventura.
Amigos das trilhas e de outras paragens formaram o sopão fervente num domingo marcado a ferro e fogo em canelas, testas, costelas e outras circunferências.

O Tonny Magalhães -que não canta tão bem quanto o Tony Bennett- orquestrou uma muito bem montada praça no campo da Pousada dos Pirenes, que todos os anos abre as porteiras para receber as piradas e pirados do MTB.
Gatas das mais bonitas e charmozentas desfilando suas beldades para o babões aglutinados no acostamento da passarela.
Bólidos reluzentes e devidamente revisados alinharam-se sobre a verdolecência do gramado, emplacados e chipizados pela SISTIME com o que existe de mais modernoso na cronometragem bicicleteira do solo genuinamente brasileiro.
O negócio é tão federal que mostra até um gráfico com o nível da pau de ratisse do competidor em questão. Ô loko!

O percurso foi o mais completo de todas as provas realizadas neste ano no CENTRO OESTE. Foi coisa pra demente nenhum botar defeito.
O visual, pra quem conseguia pelo menos respirar e enxergar alguma coisa, foi chocantemente espetacular. Coisa de cinema 3D Full HD High Definition Especial Pós Led Plus Action.
A cronometragem foi da eficiente SISTIME, com João Benko na batuta sempre surpreendendo com suas inovações.

Teve gente que desconhecia o percurso e o subestimou, e os que estavam bem preparados puderam chegar só meio mortos, e quem tava só a capa do Batimenos chegou completamente defuntino defumado. Não sobrou reserva nem pra fazer torresmo...

Teve de tudo um muito; desde subidas escabrosentas, pedras soltas carpideiras, abismos abissais, lama esborrachada, valas capciosas, singles esburacados, riachos cuspidentos e descidas para o poço sem fundo.

Tombos? Deu pra montar álbum de figurinhas classificadas por categorias. Desde raladuras generalizadas a fraturas irremediáveis.
O cumpadi CollombelliPullaValla foi um dos agraciados pela feitura de um grande ralamento...
Lá evinha ele, descendo mais ligeiro que cometa desgovernado e sem freio pela encosta da montanha, quando um ser aparentemente lobotomizado o fecha e provoca derrapada espetacular. Colombelli usa de toda a sua sapiência em astronáutica modular e piruliteia ar abaixo com rara desenvoltura acrobática, ralando somente o corpo todo e mais umas partes escondidas. Seu crânio, totalmente feito da mais pura liga de ferro confundido, foi massacrolizado por uma pedra pontiaguda e quase o teletransporta dessa para outra sub dimensão.
Depois de trocar catraca de canhão por conhaque de alcatrão, Colombelli até que ficou mais ou menos; apenas não se lembra mais quem é, endereço, quanto é dois mais dois e essas coisas sem importância.

O certo é que estaremos na próxima, porque o festivo encontro com os amigos em Pirenópolis é imperdível!

Parabéns aos organizadores!
Parabéns a todos os participantes!

Inté a próxima!

PikiDaTrilha - MuntaBiki Offi Roiadi

Silvio Sá do MtBB no DIA D da Unb





26/10/2009

O CARECA QUE COMEU A CICLOVIA NO SALTO 25out09

Cabeçudas criaturas pedaleiras se deslocaram até algum secreto ponto da DF 290 para se derramarem de cabeça num percurso muntabikeiro em mais um canto mágico da savana do quadradinho







Cumadis das mais cheirosas e cumpadis dos mais fedegosos se aglomeraram para a prévia das prévias encabeçada pela Janice, comandante mor da nação Rebas.
Ronan foi o culpado. Sim, ele mesmo! Sabidamente uma criatura biciclopática que conhece como poucos as secretas trilhas dos mocós escondidos pelo matagal daquelas bandas.

DesceTudo, BonDyBico, JoãoCabelim e esse escrevente se enveredaram juntamente com nossos amigos pelas mais encantadoras matas, subidas, valas e tantas outras pirações tão almejadas pelos seres esquisitos do mundo muntabikeiro.

Depois das orientações iniciais dadas por Janice, Ronan e Bauru, um pelote de mais ou menos vinte e duas criaturas e meia saiu arretadamente, rasgou o véu da noiva e se canelou pelo estradão batido que levava até a entrada de um single beleza pura.

Pulou-se uma cerca para a entrada do paraíso perdido de Ronan e o cascalhão cantou suado debaixo dos cravos dos pneus e gemeu rasgado durante as curvas e rampas.

O mato do cerrado formava uma alameda que quase encobria a trilha, e o pelotão seguia compacto voando baixo por entre espinheiras, cobras e taturanas.

Pra apimentar a tragédia, um longo galho com casa de marimbondo estacionou bem no meio do single, fazendo um balanço de vai e vem a cada passada de um pedalante.

Nas baixadas, escadarias de pedras exigiam cuidado redobrado dos pilotos estrambelhados, porque bastava um só descuido para cair em valas com boca de monstros e ser tragado para as profundezas do oco da terra, mas mesmo assim DesceTudo soltava o freio e fazia das suas estripulias voativas em meio àquela periculosidade.

Passamos mais uma cerca misteriosa e aí encontramos a aranha cabeluda do casco de espinho venenoso, criatura mortal e extremamente virulenta que habita aquela distante região.

Martinha, Ane e AlineUhuu eram as únicas gatas que a todo instante colavam no pelote ensandecido, e bastava uma piscada para as minas encostarem com cara de quem nem estava fazendo força.

Garotas supimpas!

Mais a frente, uma nova descida anunciava uma mata que previa ribeirão. A galera empelotou na porta, mas logo percebemos que foi por causa de uma antiga ponte que caiu.

Fazer o que?!

Colocamos as magrelas no costado e partimos pra travessia esburacada. Derrapadas e escorregões foram comuns naqueles pisos lodosos e com falta de pegamento.

Alguns escolheram escalar o madeiramento apodrecido e com frágil equilibramento, e outros tocaram os pés na água e subiram pelo barranco.

Uma corrente se formou para ajudar passar as bicicletas e o povo foi vazando à medida que chegava do outro lado.

Morrinho pequeno adiante, mas nada incomodativo. Depois, ao longe já se enxergava o paredão da desesperança radioativa.

Vários bicicloloucos já estavam por ali engarranchados, derrapando e tentando se equilibrar a qualquer custo que custasse.

Encaramos a pirambeira e botamos ar nos foles pra fora tentando vencer a escalação.

À esquerda, um vale cinematográfico esparramava sua verdolência por uma paisagem sem fim, perdendo-se das vistas lá nas bandas de depois da curva.

Nesse ínterim, os corações batiam bielas e as ventas chamuscavam chamas e fumaça que se esparramava pelos olhos e ouvidos. As pernas quase pediam arrego e o equilíbrio quase desequilibrativo cansava o prumo das costelas.

Lá do alto, ainda com a ofegação totalmente traumatizada, tentamos focar os olhos pra apreciar tanta buniteza que se derramava morro abaixo.

Seguimos, agora por estradão de terra, e aí a velocidade verteu forçativa, mas, como não sabíamos do caminho, paramos em toda bifurcação esperando quem tinha conhecimento daquelas estradas perdidas de Ronan.

Chegamos numa casinha escondida na baixada e por lá tinha água gelada, laranja, cana e sombra bem friazinha.

Quando chegamos, desmuntamos e o André sacou de sua matula preciosa onde existiam vários aparatos nutricionais com os quais nos brindou. O amigo do Júnior repartiu o restante das bolachas e forramos a pança com um banquete bem vindo.

Depois de tirarmos umas chapas, abastecermos os pandus e as caraminholas, aprontamos partida.

Travessia de uma entradinha disfarçada e mais uma perdida, aguardando ainda outros mais perdidos pra tentar achar a saída.

Batemos mato no peito e atravessamos pro outro lado, e foi aí que encontramos o cumpadi Chico nos aguardando do outro lado em seu carro de apoio, pois o cabra tá com a mão imobilizada por conta de um tombo em outros trilhamentos.

Depois disso tudo, foi pegar só estradão e mais paradas pra aguardar quem sabia do caminho. Pegamos mais um subidão e depois foi só arrochar lenha na caldeira até chegar nos finalmente.

Foi beleza mais que pura, e certamente que faremos esse percurso do Ronan mais uma pá de vezes.

Inté!

PikíDaTrilha MuntaBiki Offi Roiadi



19/10/2009

SUPER 60 e RANDONAGEM 400k18out09

Na chuvaca de uma manhã mista de molhada gorda e despencada, um centenário e mais um tanto de quase loucos cicloamigos deslizaram suas magrelas pelas vias brasiliosas, enfeitando as ruas com suas reluzentes e performáticas aparições.



VEJA AS FOTOS!




Um colorimento de formas abstratas fez contraste com a paisagem bucólica da Capital, onde os traseuntes bocejantes que conseguiram acordar e sair de suas tocas estatelaram os olhos à passagem do reluzente cortejo pedalador.
Motivo havia de sobra, pois Brasília é a cidade que ostenta o título de possuir o maior e mais constante pelotão de ciclistas que treinam religiosamente em comboio por suas belas avenidas.







Saiu às 8h30m, como pontualmente indicavam os marcadores do relógio.
Céu nublado, calor no lombo e alegria transbordante.
Conversas sobre provas, roteiros, miolos de pote e outras elocubrações povoaram o imaginário dos ases pedalantes. Encontro de amigas e amigos que compartilham o prazer de pedalar.


Na altura da da QI 22, chuva boa e molhadeira escorreu sobre os lombos e ensopou as cabeleiras. A brincadeira foi geral, com comentários sobre os cuidados para não se molhar.

A média elevada causou algum despovoamento, mas isso só aumenta a vontade de treinar mais para participar do próximo.


Motoristas acenavam e buzinavam cumprimentando o colorido pelote.
Passagem pela terceira ponte descortinando o espelho d'água do Lago onde vários barquinhos flutuavam na despreocupada manhã de domingo.


Na volta, nuvens pesadas cobriam todo o Lago Sul, e era de se esperar que muita água seria derramada. Não deu outra, e o aguaceiro veio com vontade, lavando a alma, limpando as ziquiziras e preparando os tão nobres atletas para as próximas lidas que virão. Nesse ínterim, vários ciclistas aproveitaram para tomar atalho para o caminho de casa.


Léo Landim avisou que, atendendo a vários pedidos, o SUPER 60 será realizado a cada três meses, o que muito alegra aos amantes e praticantes do belo, artístico e performático esporte pedalatório.

Aguarde a próxima edição.

Inté!

PikiDaTrilha
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RANDONAGEM 400k
Bsb -Gyn - Bsb

A expectativa invadia os olhares dos donos daqueles cérebros voçorocados pela insana vontade de pedalar até os confins do infinito que ultrapassa o além.
Juntos, então, aqueles seres insólitos formavam a mescla perfeita dos pedaloucos que habitam a savana brasileira, criaturas quase extraterrestres em cujas almas ferventes pululam idéias não lá muito equilibradas.


Era bem cedo. Não! Muito cedo!
Chegaram bem antes, e às quatro da matina aqueles randoneiros partiram em comboio para cumprir seu desafio: sair de Brasília com destino a Goiânia e voltar para Brasília pedalando.
Não terão cochilo no caminho, nem massagistas ou coisa que o valha, só contarão com essa disposição esquisita que os impulsiona para ir em frente custe o que custar.


Alguns não entendem, não gostam, vários detestam e outros nem ligam, mas é claro que existe uma admiração secreta por esses destrambelhados do pedal, que não se importam com eventuais desmerecimentos e continuam num giro sem fim curtindo essa extraordinária liberdade meditativa conseguida durante o mântrico ato de pedalar.

Enfrentaram a noite, o frio, a solidão, calor, a dor e lutaram contra a má vontade do corpo que em algum momento lhes queria desobedecer os comandos.
O vento lambia as faces e zunia nas orelhas naquelas descidas rápidas que antecipavam subidas sem respeito. Os pneus quase flutuavam no asfalto para depois dar a impressão que estavam vazios ou com alguma cola oculta que dificultava o movimento.

Foram várias horas para meditar em tudo ou quase nada. Foi possível até esvaziar a mente e se pegar sem pensamentos. Viagem no túnel do tempo que só experimenta quem pratica o profundo desapego que exige o longo pedalar.

O corpo aquecido se lavava com banhos de suor que vertia em cascatas nalgum instante. Na volta, olhares quase que em profundo transe já anteviam o paraíso à frente. Miragens recorrentes começaram a ocorrer enquanto a chuva riscava o horizonte e o chão molhado chiava à passagem dos pneus.
As derradeiras reservas foram queimadas com uma mistura de raiva, vontade doida de chegar e outras elocubrações.

Já era possível enxergar o ponto de chegada, e um misto de alívio e euforia quase lacrimejada invade a alma num regozijo de vitória.
Aquele momento mágico e indescritível foi vivido particularmente, mas é certo que o céu se iluminou com um reluzente raio que rasgou o firmamento de norte a sul, e foi então que se pôde ouvir os apupos celestiais emitidos pelos talvez mitológicos deuses do pedal, que solenemente perfilados fizeram respeitosa continência aos heróis da auto-superação.

Parabéns aos randoneiros!
Sucesso ao Longa Distância!

Inté!

PikiDaTrilha